"SUGAR BLUES"... o que ficou?
- Branca Martins

- 24 de nov. de 2020
- 4 min de leitura
Atualizado: 6 de jan. de 2023
"O que ficou do livro, depois que esqueci tudo que li."
Parafraseando Einstein
"Educação é aquilo que fica depois que você esquece o que a escola ensinou."
Albert Einstein
"SUGAR BLUES" – William Dufty – 1975
Eu ainda estava na faculdade, quando meu pai, estudioso dedicado, sempre preocupado com vida saudável, tentava encontrar arroz integral de qualidade. Lembro-me que íamos aos entrepostos de alimentação para animais em busca de farelo de trigo, porque não encontrávamos específicas embalagens para humanos. Ele já havia lido sobre a necessidade das fibras para um intestino saudável, já comíamos arroz integral quase todos os dias e, aos poucos, fomos introduzindo farelo de trigo em nossas receitas, mesmo que fosse para misturar com o arroz.
A chegada do livro “SUGAR BLUES” em casa foi um estouro: causou comoção tremenda em alguns de nós e eu, particularmente fiquei bastante impactada, acostumada que sempre fui a questionar-me. Fortalecida pelo treinamento com as interpretações de texto do curso de Letras, quis absorver linhas e entrelinhas do livro.
Precisava saber se eu me enquadrava na descrição do escritor sobre os consumidores de açúcar, qual a profundidade do envolvimento e como eu poderia me proteger da possível invasão em meu autocontrole.
"Educação é aquilo que fica depois que você esquece o que a escola ensinou."
Albert Einstein
O que ficou do livro “SUGAR BLUES”, depois que esqueci quase tudo que eu li?
Não me lembro bem dos acontecimentos históricos, dos nomes, ou das datas citadas no livro, mas me lembro que já havia quem se deliciava com o doce da cana, bem antes de Cristo, na Índia, na Grécia e como ela veio sendo sofisticada e transformada através da idade média, até sua chegada nas Américas.
Fiquei horrorizada ao ler sobre a exploração da mão de obra escrava, na lavoura e depois na manufatura do açúcar, até que se tornasse o refinado que conhecemos hoje. Alguém no livro sugeriu que havia gotas de sangue na bebida adoçada que as pessoas tomavam, referindo-se a quantas pessoas morreram e/ou foram escravizadas, para que existisse esse prazer.
Seduzidos pelo paladar e pelas propagandas, que alardeavam sua associação à energia e à saúde, os consumidores foram sucumbindo deliciosamente à cana refinada, que foi penetrando insidiosamente em vários segmentos da sociedade e se tornando imprescindível em todas as mesas.
Nunca me esqueci de uma frase proferida por alguém no livro: “Isso é veneno; eu não deixaria isso entrar em minha casa, quanto mais em meu corpo." Repeti essa frase cada vez que observava alguém (e a mim mesma) ingerindo qualquer alimento não saudável.
O DESAFIO DE “SUGAR BLUES”
Meus pais não economizavam no supermercado com bombons e chocolates. Além disso, minha mãe era muito criativa na cozinha e amava fazer doces, bolos e tortas. Lembro-me das deliciosas tortas “princesa” encharcadas de coco açucarado.
Alertada por “SUGAR BLUES", percebi minha atração pelas guloseimas e reconheci que elas me seduziam. O prazer me anestesiava e me alegrava, embora, depois, sentia o estômago queimar, tinha enxaqueca e muitas vezes horrorosas intoxicações, que me levavam ao médico, sendo que boldo algum resolvia.
Resolvi encarar o desafio de vencer o que estava se tornando compulsão. Decidi não mais adoçar chás, cafés, leites, sucos etc. Ficar sem adoçar coisa alguma me deixou doida, ansiosa, andando pela casa de um lado para o outro. Percebi que era mais sério do que eu supunha. Para aliviar a ansiedade, comia umas frutas doces, como banana ou manga, tomava água com limão, escovava os dentes e, com determinação, consegui superar a crise.
Antes de testar, eu não sabia quão forte era o poder da doçura. "SUGAR BLUES" tinha razão!
E AGORA? O QUE FAZER?
Fui pesquisar. Muitas literaturas confirmavam o que "SUGAR BLUES” descrevia sobre os malefícios do açúcar.
Tudo muito complexo e complicado, já que envolvia muitos fatores além do biológico: o cultural, o emocional e, principalmente, o racional para conseguir fugir dos especialistas em sedução do consumo.
O ideal seria achar um meio termo, um ponto de equilíbrio entre nutrição saudável e alguns caprichos do paladar. Não precisaria endurecer totalmente, afinal, "a repressão é pior que a dieta" (conforme o slogan que usávamos para amaciar a rigidez na época da macrobiótica). Entretanto não poderia sucumbir ao vício.
FOCO E CORAGEM!
A maternidade reforçou o foco na relação alimentação/saúde. Tinha tesouros cujo bem-estar dependia fortemente de meus costumes.
Por outro lado, com a família crescendo, multiplicaram-se os encontros afetivos, recheados com delícias do paladar, onde o exagero e a gula eram perdoados e bem-vindos. Em alguns momentos, não resisti às tentadoras sobremesas, que me custaram fortes intoxicações.
Coragem! A recaída humilhou, mas redobrou o foco em busca de cenários novos, coloridos, com equilíbrio na dieta e respeito à vida.
"Educação é aquilo que fica depois que você esquece o que a escola ensinou."
Albert Einstein
O QUE FICOU DE "SUGAR BLUES”
Entendi sobre compulsão alimentar, porque testei e comprovei, bem antes de ouvir sobre grupos de apoio para comedores compulsivos.
Tornou-se um hábito ficar alerta com relação à adição de açúcar e outros aditivos na maioria dos alimentos industrializados.
Assumi que poderia provar uma doçura aqui e ali, desde que não exagerasse e que não fosse fruto de maltrato humano ou animal.
O foco na alimentação seria o mais próximo do natural possível e seria sempre um momento de gratidão e conexão com o Universo.
Finalmente, a mensagem mais importante que extraí desse estudo foi para eu NÃO CAIR NA ARMADILHA DO ESTRESSE, pois ele quer que eu esqueça tudo que aprendi.
Por isso, o que ficou de "SUGAR BLUES" faz parte integrante da função de eu estar funcionando.
"SUGAR BLUES" – Recomendo! Blues por sugar, desejo que nunca mais!




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