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DIETA OU REPRESSÃO?

  • Foto do escritor: Branca Martins
    Branca Martins
  • 31 de jan. de 2021
  • 3 min de leitura

Meu irmão chegou na hora do almoço e lhe ofereci arroz integral com gersal e, depois, os outros integrantes da refeição. Havia lentilha, alguns legumes refogados, uns cogumelos acebolados e uma salada bem colorida. Ele olhou para tudo e depois para mim, muito desconfiado, como se eu fosse forçá-lo a comer o que não estava acostumado.


Achei que tinha que justificar que procurávamos comer o mais saudável possível, como prevenção, para diminuir as chances de ficarmos doentes. Comíamos cereais integrais e verduras, porque são ricos em fibras e sempre optávamos pela variedade, porque assim dávamos conta de colocar no corpo tudo que precisássemos, sem a necessidade de entender exatamente os valores nutricionais, como calorias, vitaminas, proteínas etc.


Ele logo contestou: “quero comer comida e não remédio”. Todos rimos mas entendi a mensagem atrás da observação jocosa. Provavelmente supôs que a comida não teria sabor e que nosso estilo alimentar era um sacrifício, em favor da saúde. Entendi que, pra ele, seria estressante mexer em seu costume alimentar, por isso respondi com a frase que usávamos nos tempos da macrobiótica: “a repressão é pior que a dieta”, porque realmente não faria sentido reprimir-se, fazendo sacrifício.


O biólogo de plantão daqui de casa logo completou: "é verdade que o estresse pode estragar tudo. Sabemos que o estresse (juntamente com a alimentação e os exercícios) faz parte do tripé da qualidade de vida. Se esse pé do tripé estiver ruim, ele envenena os outros dois!"


O OBJETIVO É VIDA LONGA?


Depois da brincadeira provocativa, sentamos para almoçar e ele até elogiou, dizendo que ficou surpreendido que a comida pudesse ser saborosa. Depois de relaxarmos, continuamos a conversar sobre saúde e dietas, como era de se esperar.


Lembramos de alguns longevos que conhecíamos, que não seguiam protocolo algum com exercícios ou alimentação, mas tinham uma cabeça hábil em lidar com adversidades e em se desligar dos problemas dos outros.


Tivemos que aceitar que é possível ser flexível com o tripé, mesmo que isso implique em capengar e usar uma muleta aqui e ali, com alguns itens de farmácia.


MAS, ENTÃO, VIVER É ASSIM?


Lembramos de uma frase de Einstein que iluminou a conversa:

"Viver é como andar de bicicleta! É preciso estar em constante movimento para manter o equilíbrio!"




Concordamos que não podemos parar. Com o corpo ou (principalmente) com a cabeça, o movimento é importante para manter o equilíbrio, seja sobre duas rodas, ou num banquinho de três pés.


QUAL A IMPORTÂNCIA DA DIETA NESSE TRIPÉ?


Alguém disse: "Posso viver sem exercícios e com estresse, mas não posso ficar sem comer! Posso me alimentar sem polêmica?"


E CHOVERAM ARGUMENTOS


Devemos nos entregar ao prazer do paladar, sem racionalizar se é saudável ou não? O paladar pode se transformar em compulsão alimentar? Devemos comer conforme a tradição, o social? Com sofisticação, ou mais perto do natural!?


Devemos questionar se nossa opção alimentar influi no planeta, no efeito estufa, no envenenamento dos lençóis freáticos, no aquecimento global?


Ignoramos o sofrimento dos animais e das pessoas envolvidas na produção?


Isso tudo não é exagero?


A CONVERSA ESTÁ ESTRESSANDO... VAMOS PARAR?


O questionamento estava incomodando e o clima ao redor da mesa ficou pesado.


Como, para nós, o respeito pelo momento de cada um seria mais importante que provar verdades, meu irmão resolveu arrematar o assunto com outra brincadeira: “Não é que é pode ser gostoso comer remédio?" Ele disse, enquanto degustava a sobremesa.

Então não é necessário sofrer pra comer saudável? Dieta é repressão? Como fazer?


Todos rimos na certeza que é possível pedalar construindo a estrada, curtindo a companhia, alargando a mente e colorindo o cenário, sem deixar de seguir em frente.


Afinal cada um pedala no seu ritmo, conforme a potência que tem. Quando se cansar, pode sentar-se um pouco no banquinho de três pés, estudar o mapa, traçar o melhor trajeto e mudar a rota, se entender que deve.


ONDE CHEGAR?


O futuro, não sabemos, mas com certeza o presente é o movimento em direção a ele!

PEDALA!!!


3 comentários


Olivia Dresch
Olivia Dresch
02 de fev. de 2021

Branca querida, como sempre vc sabe discorrer sobre esse assunto com muita maestria. Valeu a reflexao!

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guido.jeferson
guido.jeferson
02 de fev. de 2021

Tenho compreensão e consciência da importância desta alimentação saudável e seletiva, mas gostaria de não as ter, já que a ignorância é a mãe da felicidade. Estou longe deste patamar evoluído e lamento gostar tanto de churrasco e cerveja. Que involução!!

PS: não estou sendo irônico (juro).

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mmgazzi67
01 de fev. de 2021

Muito bom. Pois é, aqui em casa temos duas veganas agora que nos lembram o tempo todo como é importante pensar no que vamos comer. No fim a família toda está comendo menos produtos de origem animal. Adorei a bicicleta, é mesmo assim não?

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