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Finalmente eu!

  • Foto do escritor: Branca Martins
    Branca Martins
  • 31 de jul. de 2020
  • 2 min de leitura

Atualizado: 15 de set. de 2020

Quer se suicidar? – minha mãe dizia – Espere até amanhã!!!

E não é que valeu a pena esperar até amanhã?

Enfiei os pés na areia movediça de mim, e afundei feliz! Aproveitei a viagem pela areia pastosa e fortaleci pernas e braços. Até que as partes sadias sustentassem a impotência das fracas e eu continuasse a viagem para dentro. E não morri.

A vida acontece aqui e eu com ela aconteço!

Um dia bem distante pensara que, pra finalmente ser eu, eu deveria esperar morrer as pessoas que me exerciam negatividade, com julgamentos baseados num passado que eu achava, que elas achavam, que eu não estava de acordo com os princípios de felicidade, que eu achava, que elas achavam.

Algumas vezes me amargurei por saber que alguém me odiava e me convenci que isso era uma tolice, uma vez que não me dizia respeito esse ódio, pois não era carga minha. Um dia olhei para meu corpo e vi refletido nele, como se fosse um espelho, aquele olhar odioso. Entendi que, se essa imagem ficou em mim, eu também a estava refletindo para outras pessoas e, assim, começava a pandemia do ódio!... que tristeza!

Fechei os olhos e olhei dentro de mim. Mergulhei no misterioso e secreto buraco negro de minha mente, mais que mente, um espaço sem espaço, um tempo sem tempo, com todos os componentes naturais que meu cérebro pôde me oferecer. E lá dentro, aqui dentro, encontrei meu tesouro, minha essência, encontrei eu e não os outros.

Que desperdício foram os anos em que eu me olhava e via no meu brilho o reflexo de outros e o repassava, como sendo uma função legítima de sobrevivência. Talvez fosse mesmo lavagem cerebral que eu recebera, para acreditar que vida era aquilo que eu via e não aquilo que eu era.

Agora chega de perder tempo com o passado!

Logo mais estarei a olhar para os lados e dizer: “Não há ninguém mais velho que eu!" Alguns mais novos talvez vistam roupas usadas de quem já foi e insistam em justificar retalhos da história. Mas eu não sou atriz da novela que os outros assistem, por isso me comprometo a não carregar esse ranço como carga minha.

Agora chega de perder tempo imaginando o futuro!

E, como não me suicidei no passado e esperei até amanhã, então o amanhã é hoje! E valeu a pena esperar para conseguir perceber-me sendo. O segredo de mim me arranca a vergonha de ter prazer de só ser, sendo, em função de ser, assim tão simples.

Até que enfim, finalmente eu, mais leve e satisfeita por não ter que carregar fantasmas de pessoas, que talvez nunca tenham existido.





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